terça-feira, 12 de abril de 2011

Tra-Ves-Tir



           Maranjëla, Deusa Africana da beleza e da Iluminação, flutuava deslumbrante pelas históricas ruas do centro do Rio de Janeiro, incumbida de transmitir o equivalente a 400 mil Watts de potência de sua Luz aos seres agraciados com a divina sorte de cruzarem com ela em sua peregrinação para o restabelecimento da harmonia cósmica e elevação dos espíritos mundanos ao Circulo Sagrado da Divindade Universal.

           Acometida de grande Amor e profunda compaixão pelos mortais, Maranjëla não se sentia confortável em sua índole de deusa, com vestimentas triunfantes e espetaculares. Ela acreditava que sua perfeição extraordinária criaria, nos que cruzassem com ela, o estado de choque trazido pelo êxtase da contemplação direta da beleza.

      Tal impacto emocional geraria um inevitável sentimento de inferiorização na natureza humana do agraciado... Reações assim em nada contribuíam para sua aproximação com os humanos e atrapalhavam definitivamente sua determinação de cumprir sua nobre e honrada missão.

       Decidiu que era necessário trajar os panos e trapos que são comuns aos mendigos e assim poder distribuir a Graça sem maiores traumas aos poucos escolhidos que com ela teriam um encontro.

       Passou a habitar um trecho da Rua Primeiro de Março, na altura do Prédio do Paço Imperial, circulando entre nós travestida de mendiga.

        Criou uma única e imutável regra para distribuição das bênçãos: Aos que lhe sorrissem de volta estava garantida a vitória sobre as trevas!


10 comentários:

  1. quantos seres de luz à espera do sorriso não andam por aí, travestidos e rotos

    beijo

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  2. sim, assis!

    é um enigma urbano!


    um beijo.

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  3. Pena é as pessoas passarem perto e fingirem que não vêm. A alma e o coração ultrapassa o aspecto exterior.
    bjs
    oa.s

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  4. Com mil endiabrados garis, Betina! Você é louca, varridamente louca!

    Como é que dá conta de escrever em tantas frentes poéticas e ainda produzir prosa de qualidade? Me deixa tonto, perdido, tanto que há tempos eu não entrava aqui.

    Beijos

    P.S.: Mas nada de ousar se curar, hem!

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  5. tuca,

    quem dera você estivesse diariamente em contato com o meu trabalho, na certa eu ganharia em inspiração e entusiasmo!

    obrigada por vir,


    um beijo! :)

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  6. Caraca menina, que texto! Que classe!!!!
    Impressionante a construção das frases e a realidade que elas passam!
    Fiquei até meio assim! Por via das duvidas, sorrirei pra toda mendiga que ver, vai saber se ela não tá por aqui em Vinhedo!

    Vc é fera!

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  7. sylvio,

    as deusas estão nas formas mais variadas e nos disfarces mais improváveis...

    ainda bem que você é esperto e atento!


    um beijo, querido!

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  8. Bonito BB, me lembrou do mendigo que bate à porta de uma casa, e é recebido e acolhido e era um anjo.
    Gosto de cruzar rostos e ver sorrisos. Alguns rostos me dizem nada, outros, tenho medo, outros me agradam. Mas quando me sorriem, são todos anjos.

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  9. Na verdade Betina, eu sorrio... Se não faço, eu olho...
    Qualquer coisa, menos deixar passar desapercebida uma humana; ou, um humano.

    Beijos.

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